26 de fevereiro de 2009

A tudo se acostuma.

Parece que foi ontem. Arrumei as malas e desapareci. Deixando trás todas as pessoas do mundo. As chatas, as acéfalas e também as tediosas. Pois todas elas escondiam espinhos em suas falas, em seus olhares e em seus gestos. E nunca fui boa em desviar de farpas,e de espinhos. Arrumei as malas e desapareci. Com o passar do tempo, calculei que se acostumariam com minha ausência. A tudo se acostuma. Guardei meu silêncios, meus escritos, minhas dores e meus documentos. Fiz um esconderijo para minha esquisitice, minhas calcinhas e meus sonhos. Ninguém precisa saber da minha demência, da minha falta de tato, das minhas insônias e das minhas compulsões. Realmente ninguém precisa.. Com o passar do tempo me acostumei a viver sozinha. A tudo se acostuma. Do alto muita coisa se faz clara. E durante tantos anos, observando as mais variadas flores do mundo, do canto da minha janela, percebi que todas elas traziam consigo alguns espinhos. E nunca fui boa em desviar de farpas, e de espinhos. Mas, com o passar do tempo, me acostumei a conviver com eles. Foi então que entendi que flores e pessoas podem ter muita coisa em comum. E que a tudo pode-se acostumar. Bastar, com o passar do tempo, aprender a lidar. Parece que foi ontem. Arrumei as malas e desapareci. Deixando pra trás todas as pessoas do mundo. As adoráveis, as dedicadas e também as carismáticas. Eu apenas não sabia que poderia, com o passar do tempo, me acostumar a lidar com todas elas.

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